
Assisti ao ultimo filme do Paolo Sorrentino, Juventude (Youth,2015) .Ele polemiza, encanta, divide a platéia : vale a pena conferir !
Dois velhos amigos com quase 80 anos de idade cada, Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel), passam ferias em um luxuoso hotel nos Alpes suíços. Fred é um maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade. Juntos, recordam de suas paixões da juventude. Enquanto Mick luta para concluir o roteiro daquele que ele entende que será seu último grande filme, Fred não tem vontade de voltar à música.
O filme não tem uma narrativa linear e parece que a qualquer momento vai enredar por lições de vida cheias de pieguices e lugares comuns. No entanto , é a excelente direção de fotografia que costura , direciona e redimensiona essa narrativa com o que há de mais seminal e genuíno na linguagem do cinema: a imagem e seu tratamento digno : o movimento. Planos e enquadramentos corretos, os " longos" e os" close-ups", economizam palavras . O passeio da câmera pelas paisagens dos Alpes suíços e, sobretudo ,pelos exteriores e formas dos seres humanos jovens e velhos que freqüentam o hotel/spa, revelam aparências , passando a nós, espectadores, a necessidade de construirmos diálogos interiores para entramos no filme e sairmos da sala com a impressão de que o cinema ainda vale muito como instrumento de analise da vida.
E a vida retratada no filme, fala de emoções ,de desejos, do envelhecimento e da juventude, não necessariamente na ordem determinista que conhecemos. Idade é atitude, para jovens ou idosos. Não se critica a juventude e sim o fugaz e o instantâneo, que afinal podem estar em qualquer faixa etária. Cultura , memória e experiência subvertendo o determinismo biológico
Numa cena ,o diretor de cinema Mick oferece aos jovens cineastas que produzem seu filme , uma visão das montanhas pela perspectiva ampliada de uma luneta. Com o visual da montanha ampliada , Mick , metaforicamente ,diz:
" - Está vendo aquela montanha? É assim que se vê quando se é jovem. Tudo parece estar bem próximo. Isso é o futuro.
Ao inverter a luneta, se espera a montanha distanciada : " - Isso é o que se vê quando se é velho. Tudo parece bem distante . É o passado.", afirma Keitel. Porem, a imagem é focada no grupo de jovens roteiristas tendo a montanha como fundo : genial!
Outro destaque ,é a participação simbólica de um ex-jogador de futebol , inspirado abertamente em Diego Maradona, se tratando no hotel/spa. ( o diretor Sorrentino é fã do ex-craque argentino do Napoli dos anos 1990 ). Diego na cadeira do spa, gordo e cansado, sonha com seus áureos tempos de jogador e responde sobre o que pensa ao ver seu passado: "- Penso no futuro." E isso tudo , depois do Maradona do filme, fazer varias embaixadinhas com uma bola de tênis. Constatação de quem só joga "bolinha" ou a afirmação de quem por já ter jogado um bolão na juventude, pode, no envelhecimento , fazer menos, porem com mais qualidade?
E a conferir também a participação de Jane Fonda como Brenda Morel, a atriz favorita do diretor vivido por Keitel.É a própria homenagem ao cinema e as suas musas e atrizes eternas.
O filme não tem uma narrativa linear e parece que a qualquer momento vai enredar por lições de vida cheias de pieguices e lugares comuns. No entanto , é a excelente direção de fotografia que costura , direciona e redimensiona essa narrativa com o que há de mais seminal e genuíno na linguagem do cinema: a imagem e seu tratamento digno : o movimento. Planos e enquadramentos corretos, os " longos" e os" close-ups", economizam palavras . O passeio da câmera pelas paisagens dos Alpes suíços e, sobretudo ,pelos exteriores e formas dos seres humanos jovens e velhos que freqüentam o hotel/spa, revelam aparências , passando a nós, espectadores, a necessidade de construirmos diálogos interiores para entramos no filme e sairmos da sala com a impressão de que o cinema ainda vale muito como instrumento de analise da vida.
E a vida retratada no filme, fala de emoções ,de desejos, do envelhecimento e da juventude, não necessariamente na ordem determinista que conhecemos. Idade é atitude, para jovens ou idosos. Não se critica a juventude e sim o fugaz e o instantâneo, que afinal podem estar em qualquer faixa etária. Cultura , memória e experiência subvertendo o determinismo biológico
Numa cena ,o diretor de cinema Mick oferece aos jovens cineastas que produzem seu filme , uma visão das montanhas pela perspectiva ampliada de uma luneta. Com o visual da montanha ampliada , Mick , metaforicamente ,diz:
" - Está vendo aquela montanha? É assim que se vê quando se é jovem. Tudo parece estar bem próximo. Isso é o futuro.
Ao inverter a luneta, se espera a montanha distanciada : " - Isso é o que se vê quando se é velho. Tudo parece bem distante . É o passado.", afirma Keitel. Porem, a imagem é focada no grupo de jovens roteiristas tendo a montanha como fundo : genial!
Outro destaque ,é a participação simbólica de um ex-jogador de futebol , inspirado abertamente em Diego Maradona, se tratando no hotel/spa. ( o diretor Sorrentino é fã do ex-craque argentino do Napoli dos anos 1990 ). Diego na cadeira do spa, gordo e cansado, sonha com seus áureos tempos de jogador e responde sobre o que pensa ao ver seu passado: "- Penso no futuro." E isso tudo , depois do Maradona do filme, fazer varias embaixadinhas com uma bola de tênis. Constatação de quem só joga "bolinha" ou a afirmação de quem por já ter jogado um bolão na juventude, pode, no envelhecimento , fazer menos, porem com mais qualidade?
E a conferir também a participação de Jane Fonda como Brenda Morel, a atriz favorita do diretor vivido por Keitel.É a própria homenagem ao cinema e as suas musas e atrizes eternas.
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